quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Atropelamento foi em avenida, e não na ciclovia do Minhocão, diz ciclista

Atropelamento foi em avenida, e não na ciclovia do Minhocão, diz ciclista
Homem de 78 anos morreu após ser atingido por bicicleta.
Segundo ciclista, pilastra de sustentação do elevado impediu visão de ambos.



O ciclista que atropelou um idoso na região do Minhocão, no Centro de São Paulo, prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (19). Em entrevista ao G1, Gilmar Raimundo de Alencar explicou que o acidente não aconteceu na ciclovia que fica sob o elevado, como chegou a ser noticiado, mas na faixa de ônibus da Avenida General Olímpio da Silveira. O aposentado Florisvaldo Carvalho da Rocha, de 78 anos, morreu horas depois do acidente.
Segundo Alencar, administrador de fazendas de 45 anos, ele pedalava na faixa de ônibus da avenida, para alcançar a guia rebaixada de acesso à ciclovia alguns metros à frente.
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“Eu estava prestando atenção no trânsito, estava com o foco na frente. Não tive a menor chance de reação”, disse. “Não estava na ciclovia, estava na rua. Ia acessar a ciclovia. Estava fazendo a trajetória da pista e o impacto se deu na rua, na faixa de ônibus, um pouco antes do acesso da ciclovia o canteiro a 50m”, disse.
Para o ciclista, a pilastra pode ter impedido que o idoso enxergasse a bicicleta e levado a vítima a atravessar a rua bem em frente ao seu trajeto. “Ele caiu na rua. Caímos os dois. Então o coloquei na calçada, perto da ciclovia, para poder prestar socorro”, afirmou. “A pilastra prejudicava minha visão da calçada, mas quem provavelmente ficou prejudicado foi o pedestre, que não me viu e se pôs na minha frente.”
O ciclista disse que socorreu o idoso deitando o aposentado no canteiro central da avenida, sob o Minhocão, ao lado da ciclovia. A vítima foi levada para o hospital mas não resistiu. Alencar chegou a ir ao prédio onde o aposentado mora, bem próximo ao local do acidente, para saber sobre seu estado de saúde, onde foi informado da morte de Rocha.
De acordo com o delegado Lupércio Dimov, do 23º DP em Perdizes, o ciclista disse em seu depoimento que pedalava a aproximadamente 20 km/h. Foi Alencar quem chamou o resgate e chegou a ir até a casa da vítima, segundo Dimov, descobrindo por seus familiares que o idoso havia falecido.
O delegado solicitou à Polícia Técnico-Científica um laudo técnico sobre a dinâmica do atropelamento para avaliar se as pilastras teriam, de fato, influenciado o incidente. A Polícia Civil também busca câmeras de segurança para obter detalhes sobre o atropelamento.
Pedestres caminham pela ciclovia do Minhocão (Foto: Márcio Pinho/G1)
Pedestres caminham pela ciclovia do Minhocão (Foto: Márcio Pinho/G1)
Sinalização
A ciclovia sob o Minhocão foi inaugurada há dez dias. O trecho é palco de conflito entre ciclistas, usuários de ônibus e pedestres.
A sinalização não determina que os usuários de ônibus têm que sair ou deixar os pontos de ônibus a partir de faixas de pedestres que ficam ao lado desses pontos. Assim, andam um bom trecho embaixo do canteiro central e se arriscam principalmente perto dos pilares, onde as ciclovias fazem curvas e é impossível ver quem está vindo do outro lado.
O problema se repete perto de outros pontos de ônibus da ciclovia, que passa ao longo de 50 pilares do Minhocão, entre a região da Barra Funda e o Centro de São Paulo.
A presença de pedestres atravessando fora das faixas também é motivo de riscos no novo serviço, especialmente se o pedestre pisa no canteiro central perto dos pilares. A Prefeitura de São Paulo chegou a instalar gradis bem ao lado dos pilares, mas os pedestres passam ao lado deles a todo momento.
O Secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto, disse que o atrolemanto foi "uma tragedia". "Lamentamos profundamente. Não podemos ficar culpando o ciclista. Temos de verificar o inquérito e ver o que aconteceu. Se precisar fazer ajustes (na ciclovia), vamos fazer", afirmou.
O prefeito Fernando Haddad pediu apuração do caso. "Obviamente vamos acompanhar o inquérito para saber o que aconteceu. São cerca de 3 a 4 mortes por dia na cidade de São Paulo. Já vi acidentes no Parque Ibirapuera entre ciclistas e pedestres", disse Haddad.
Neste trecho a ciclovia faz uma curva e obriga o ciclista a frear bruscamente, como mostram as marcas de pneus na pista (Foto: Marcio Pinho/G1)
Neste trecho a ciclovia faz uma curva e obriga o ciclista a frear bruscamente, como mostram as marcas de pneus na pista (Foto: Marcio Pinho/G1)

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