segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Padrasto nega ter estuprado e mutilado Maria Alice antes de matá-la

Outras quatro pessoas também foram ouvidas durante audiência.
Sessão foi realizada no Fórum de Itapissuma, durante a manhã.




O advogado de defesa do mestre de obras Gildo Xavier, acusado de assassinar sua enteada Maria Alice Seabra, 19, em junho deste ano, afirmou que ele negou ter estuprado e mutilado a jovem antes de cometer o crime. [Veja vídeo acima] A primeira audiência de instrução e julgamento foi realizada no Fórum de Itapissuma, no Grande Recife, nesta segunda (16). Além de Gildo, outras quatro pessoas, todas testemunhas de acusação, foram ouvidas.
De acordo com Valdir Peixoto, advogado de defesa, o mestre de obras confessou que matou Maria Alice, mas nega ter mutilado e estuprado a jovem. "Em relação ao estupro e à [acusação de] ter cortado o braço dela, ele nega. Inclusive o laudo do IML não acusa", explicou. Gildo deve responder por sequestro, estupro, assassinato e ocultação de cadáver.
Gildo Xavier vai indicar à polícia local onde deixou a enteada Alice Seabra. (Foto: Penélope Araújo / G1)
Gildo Xavier indicou à polícia local onde deixou a
enteada Alice Seabra. (Foto: Penélope Araújo / G1)
As quatro pessoas que foram ouvidas na manhã desta segunda (16) são testemunhas de acusação: a mãe de Maria Alice, Maria José; e a irmã da jovem, Angélica; além de dois policiais civis, que estavam presentes no dia em que Gildo se entregou à polícia. De acordo com o juiz José Romero Maciel de Aquino, que preside a sessão, o acusado pode ir a julgamento no primeiro semestre de 2016.
"Primeiro o processo vai para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e depois para defesa. Só depois eu decido se ele vai ou não a julgamento pelo tribunal do júri. A gente não tem previsão dessa decisão porque cabe recurso -- se não houver recurso, acredito que no primeiro semestre do ano que vem ele vá a julgamento", explicou.
A mãe de Maria Alice, Maria José, chegou ao Fórum por volta das 8h30, acompanhada do irmão, Valdeir Agemiro, e do ex-namorado da jovem, o tatuador Valmir Arruda. "Está sendo difícil, eu nunca me separei da minha filha. A gente só tem que esperar Justiça", comentou. Segundo ela, Gildo era ciumento. "Com ela [Alice] e com todo mundo", afirmou.
Valmir e Valdeir disseram que esperam que o acusado vá a júri popular. "O mínimo que a gente pode esperar é Justiça", disse o ex-namorado da jovem. A irmã mais velha de Alice, Angélica, também foi até o Fórum, acompanhada do marido. Gildo Xavier chegou às 9h30, com agentes penitenciários.
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Outras testemunhas do caso ainda precisam ser ouvidas, antes do juiz decidir se o caso vai ou não a júri popular. Uma testemunhas deve ser escutada por carta precatória, que ainda vai ser remetida a Paudalho, na Mata Norte, entre outras. Não há data para o juiz dar o parecer.
Crime
O crime aconteceu em 19 de junho, no Grande Recife. Segundo a polícia, a jovem, que tinha 19 anos, foi estuprada e morta pelo padrasto -- ela passou cinco dias desaparecida e seu corpo foi encontrado em um canavial, às margens da BR-101, em Itapissuma. O padrasto confessou o crime e foi encaminhado ao Presídio de Igarassu.
De acordo com a polícia, a relação dos dois era marcada por uma convivência complicada, com histórico de ciúmes e agressão. Ainda segundo o inquérito policial, o crime foi premeditado: Gildo começou a pensar no sequestro e assassinato cerca de dois meses antes.

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