domingo, 15 de novembro de 2015

Saúde de PE vai garantir assistência a bebês com microcefalia e famílias

Secretário Iran Costa afirmou que atendimento multiprofissional é 1º passo.
Foram confirmados 89 dos 141 casos monitorados pelo estado.


Garantir a assistência que os bebês com microcefalia e as famílias necessitam é uma das prioridades a partir de agora, afirmou o secretário de Saúde de Pernambuco, Iran Costa, neste sábado (14). Costa esteve no Rio de Janeiro na sexta-feira (13), onde se reuniu com técnicos do Ministério da Saúde para discutir a situação no estado. [Veja vídeo acima]
Dos 141 casos de microcefalia notificados e monitorados em Pernambuco, 89 já foram oficialmente confirmados através do protocolo de exames exigido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “O primeiro passo é garantir a assistência médica, psicológica e multiprofissional para essas mães e crianças”, explicou o secretário. Na próxima terça-feira (17), a Secretaria Estadual de Saúde deverá divulgar novo balanço das notificações.
Os atendimentos às famílias no estado estão sendo feitos no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Hospital Oswaldo Cruz (Huoc), no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) e na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). “São as instituições que já trabalham com esse tipo de enfermidade. Esse é o primeiro passo, garantir a assistência”, reiterou.


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O secretário apontou também que os 52 casos ainda não confirmados oficialmente não estão necessariamente descartados. “Eles precisam ser acompanhados, está sendo dada toda assistência às mães e crianças, até porque a própria suspeita, a própria notificação, traz uma preocupação. A gente tem trabalhado com 141 casos”, destacou.
Costa explicou que a necessidade de se separar notificações de confirmações é um padrão técnico na Saúde, uma vez que são necessários exames para corroborar o diagnóstico inicial. “Em todas as situações de saúde, o médico faz uma hipótese de diagnóstico e depois ela precisa confirmada com um exame clínico ou um exame complementar. Existe sempre diferença entre suspeitos, que são notificações, e os casos que são realmente confirmados”, detalhou.
Causas
Além do acompanhamento das famílias, as investigações sobre as causas do aumento repentino de casos de microcefalia seguem, mas ainda sem uma previsão de prazo para respostas. “Isso pode demorar um tempo para ser investigado. Os técnicos do Ministério da Saúde, os profissionais envolvidos, todos eles tem algum tipo de suspeita que está sendo investigada. Mas para uma situação como essa, tem que ser considerada todas as situações, todas as causas possíveis”, apontou.
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A demora nas investigações se dá, entre outros motivos, ao fato de que a infecção que atingiu as mães, caso seja confirmado que houve uma, aconteceu há muitos meses. Outro ponto é que não há um perfil padrão. “Temos mães de diversas idades, diferentes situações”, afirmou Costa, acrescentando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) também se surpreendeu. “Só temos casos assim associados a tragédias nucleares”, explicou.
Entre as ações estão sendo tomadas está a Criação de um Comitê de Operações de Emergências em Saúde (Coes), composto por profissionais de diversas instituições para discussão dos casos; planejamento das ações e atenção às mães e bebês: Ministério da Saúde; Organização Pan-americana da Saúde (Opas); Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc); Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam); Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (Imip); Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD); Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).
Outra definição é reforçar a necessidade da notificação imediata e compulsória pelos profissionais de saúde, para conhecimento e monitoramento dos casos suspeitos de microcefalia. Também ficou definido que haverá a elaboração de protocolo clínico e epidemiológico para orientação dos profissionais das maternidades e unidades de referência. A base desse protocolo está sendo utilizada por outros estados da Federação. Haverá informes semanais sobre a a situação e caracterização dos casos notificados, conforme decisão do Coes.
A investigação epidemiológica dos casos será feita em parceria com o Ministério Público e quatro instituições de pesquisa: Fiocruz, Imip, UFPE e Universidade de São Paulo (USP). Todas trabalharão em conjunto para tentar identificar as possíveis causas do crescimento vertiginoso dos casos de microcefalia na região.

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