sábado, 14 de maio de 2016

Entrada dos Palmitos reúne 45 mil nas ruas de Mogi das Cruzes

A tradicional Entrada dos Palmitos, de Mogi das Cruzes, reuniu 45 mil pessoas nas ruas da região central, segundo a organização. Em um cortejo, carros-de-boi, cavalos, charretes, grupos folclóricos e devotos do Divino Espírito Santo tomam as ruas da cidade. A tradição começou porque agricultores vinham da zona rural para celebrar a festa católica na região central e agradecer a colheita. Todos os anos, o trânsito da região é interditado. Já a Polícia Militar contabilizou 47 mil pessoas assistindo ao evento. A caminhada no Centro começou por volta das 8h30 e terminou às 10h20.
Cerca de 2 mil pessoas participam do cortejo. No ano passado, aproximadamente 50 mil assistiram ao evento folclórico. Uma ata de 1613 da câmara da então Vila de Santa Ana de Mogi Mirim mostra que a devoção ao Divino tem mais de 400 anos na cidade. Como todos os anos, a concentração foi na capela Capela de Santa Cruz, na Rua Doutor Ricardo Vilela, às 8h30.
Fernanda Efigênia Campos Souza levou sua filha de 11 dias para a Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Fernanda Efigênia Campos Souza levou sua filha de 11 dias para a Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Fernanda Efigênia Campos Souza faz parte de um grupo de congada e, neste ano, levou a filha Yasmin de apenas 11 dias. "Eu comecei com 4 anos e resolvi trazer a minha filha pela tradição. Quero que ela aprenda e participe da congada desde pequena."
Ana Cláudia Morales veio para a Entrada dos Palmitos agradecer a cura de um câncer (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Ana Cláudia Morales veio para a Entrada dos
Palmitos agradecer a cura de um câncer (
Foto: Maiara Barbosa/ G1)
A família de Natália Migliorini participa da Entrada dos Palmitos de Mogi há 12 anos (Foto: Maiara Barbosa/G1)
A família de Natália Migliorini participa da Entrada
dos Palmitos há 12 anos (Foto: Maiara Barbosa/G1)
Ana Cláudia Morales fez questão de participar da Entrada dos Palmitos neste sábado. Ela afirma ter se curado de um câncer de mama e acredita que o motivo seja sua fé ao Divino Espírito Santo. "Eu nasci aqui em Mogi e  cresci na Festa do Divino. Nesse último ano eu tive câncer de mama e pedi a cura para o Divino Espírito Santo. Ele me atendeu e hoje estou curada. A emoção que eu sinto não dá para descrever esse momento", disse chorando.
A família de Natália Migliorini participa da Entrada dos Palmitos há 12 anos. "Quando eu era pequena desfilava pela minha escola e agora venho sempre com meu marido e meu filho de 4 anos. É importante participar pela parte religiosa e pela tradição. Temos que prestigiar a nossa cultura."
Maria Soares tem 84 anos e adora assistir a Entrada dos Palmitos (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Maria Soares tem 84 anos e adora assistir a Entra-
da dos Palmitos (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Dona Maria Soares tem 84 anos e mora em um asilo do Distrito de César de Sousa. Todos os anos a instituição leva os idosos para assistirem ao cortejo. "Eu fico esperando todos os anos por esse momento. Essa festa lembra a minha juventude porque desde pequena eu vinha assistir à Entrada dos Palmitos e já gostava da congada e do moçambique. A batucada é muito legal e é bom que a gente reencontra os amigos", diz.
Aos poucos, conforme o cortejo avança pela Rua Doutor Ricardo Vilela, a região central de Mogi vai ganhando cores, principalmente o vermelho, que representa o Divino Espírito Santo.
Neste ano, a Entrada dos Palmitos teve uma alteração no percurso por causa das obras na região central. Em vez de subir a Rua José Bonifácio, como é tradição, o cortejo virou na Paulo Frontin, para a dispersão em frente à Catedral de Sant'Anna.
Sônia do Espírito Santo chegou às 7h no Centro de Mogi para reservar um lugar para a sua avó, Ana Francisca Lopes, de 88 anos (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Sônia do Espírito Santo chegou cedo para reservar
um lugar para a sua avó (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Bem antes do cortejo começar, às 7h, Sônia do Espírito Santo já estava em frente a Catedral de Sant´Anna. Ela explica que veio logo cedo guardar um lugar bem próximo à grade para que a sua avó, Ana Francisca Lopes Morales, de 88 anos que está na cadeira de rodas, pudesse ver de perto o desfile dos grupos folclóricos e carros de boi. "Eu estou adorando a Entrada dos Palmitos desse ano. Antes eu vinha sozinha e lembro como era antigamente. Ainda bem que a minha neta se precoupou comigo e me trouxe esse ano. É a coisa mais linda ver tanto devoto do Divino assim junto na rua", conta Ana Francisca.
Ruas do Centro de Mogi foram tomadas de bois, cavalos e charretes durante a Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Ruas do Centro de Mogi foram tomadas de bois, cavalos e charretes durante a Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Visita de Mário de Andrade
Em 2016, a visita do escritor Mário de Andradeà Entrada dos Palmitos completa 80 anos.O autor de Macunaíba estava acompanhado do historiador Lévi-Strauss e sua esposa Dina e eles gravaram a apresentação de grupos folclóricos. A visita fazia parte dos estudos de Mário de Andrade sobre cultura popular brasileira.
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O poeta modernista e organizador da Semana de Arte Moderna estudava as manifestações folclóricas das cidades que ficavam ao redor de São Paulo. Mário trabalhava para o Departamento de Cultura da cidade de São Paulo e fazia expedições para catalogar as manifestações culturais.

Desde o começo dos anos 20, Mário documentava a história, a cultura, as tradições populares e, principalmente, a música popular. Durante a sua viagem, registrou tudo o que observou e o material foi publicado no ano seguinte na Revista do Arquivo Municipal de São Paulo:
“Os arredores da Capital são verdadeiros mananciais de surpresas folclóricas. [...] a nossa lustrosa capital é toda orlada assim dum caipirismo tenaz [...], que nos transporta [...] a um passado antiquíssimo em que ainda revivem as danças indígenas e a conversão delas ao catolicismo pela mão adestrada dos Jesuítas”.
A vinda de Mário também foi citada pelo Conselho Municipal e Preservação do Patrimônio Histórico Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap), quando a Entrada dos Palmitos foi incluída na lista de bens imateriais da cidade. Mário via na Festa do Divino a “única comemoração anual com ênfase na comilança e alegria desenvolvida num Brasil ainda provinciano e rural”, afirmou o Comphap.
Crianças seguem a tradição e acompanham grupos folclóricos na Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Crianças seguem a tradição e acompanham
grupos folclóricos na Entrada dos Palmitos 2016
(Foto: Maiara Barbosa/ G1)
A história da Entrada dos Palmitos está ligada ao agradecimento pela colheita por parte dos agricultores que vinham da Serra do Mar e da Serra do Itapeti. O palmito, que era abundante na região, era utilizado para enfeitar as ruas da cidade e os carros-de-boi, que desfilavam trazendo as hortaliças e legumes.
Sobre isso, Mário escreveu: “A ida ao mato, a escolha da palmeirinha, o corte da árvore ou de seus ramos, o transporte festivo do vegetal ao aglomerado urbano, o seu plantio na praça ou diante das casas, ou prendê-lo de qualquer forma à fachada da casa, os bois de transporte, todo esse ritual (...) se acha repetido na Entrada dos Palmitos de Mogi das Cruzes”.
Violeiro toca durante as apresentações de congadas e moçambiques na Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Violeiro toca durante as apresentações de congadas e moçambiques na Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)


Menina acompanha Entrada dos Palmitos montada no cavalo (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Menina acompanha Entrada dos Palmitos montada no cavalo (Foto: Maiara Barbosa/ G1)

Grupo de moçambique se apresenta na Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Grupo de moçambique se apresenta na Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)


Carros de bois desfilam na Entrada dos Palmitos (Foto: Maiara Barbosa/ G1)
Carros de bois desfilam na Entrada dos Palmitos (Foto: Maiara Barbosa/ G1)

Corte do Divino acompanha o cortejo da Entrada dos Palmitos 2016 (Foto: Maiara Barbosa/ G1)